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Voltar 23/10/2019 - Valor Economico

Abertura unilateral atingiria em cheio produção e emprego, diz setor industrial

Abertura unilateral atingiria em cheio produção e emprego, diz setor industrial


Fechamento de unidades produtivas, redução do emprego e contenção de investimentos seriam alguns dos efeitos de uma redução unilateral das tarifas de importação de bens industriais, avaliam setores da indústria que seriam afetados pela medida.

Os representantes do setor produtivo se dizem favoráveis à abertura do país, mas desde que feita de maneira gradual, transparente e horizontal entre os segmentos da economia. Eles também cobram do governo uma redução equivalente do chamado custo Brasil.

Segundo reportagem do Valor publicada ontem, o plano de abertura desenhado pelo governo prevê um corte unilateral das alíquotas de importação sobre produtos industriais de 13,6% para 6,4%, na média, em quatro anos. Para o setor têxtil, a redução seria de 35% a 12%, de acordo com simulação do governo para a redução da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, ao qual o jornal teve acesso.

“O impacto seria desastroso”, diz Fernando Pimental, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). “Quando essas ameaças são colocadas, sem que a agenda de competitividade esteja bem definida e andando par e passo com a abertura, os investimentos são reduzidos, o que diminui a geração de empregos”, afirma, citando ainda a indefinição quanto à reforma tributária como outro fator de incerteza.

Para a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), empresas que já enfrentam a forte concorrência de importados poderão não resistir. De janeiro a setembro, o déficit na balança comercial do setor chegou a US$ 23,8 bilhões, alta de 10,3%. Em 12 meses, o resultado negativo ficou em US$ 31,8 bilhões.

“No caso de haver uma abertura unilateral, do Brasil ou do Mercosul, seria preciso uma contrapartida por parte do Estado”, diz a diretora de Assuntos de Comércio Exterior da entidade, Denise Naranjo, referindo-se às reformas estruturais, que contribuirão para a redução do custo Brasil.

Segundo Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a entidade é a favor da abertura do país, mas feita de maneira gradual, de modo a permitir o planejamento do setor e de seus fornecedores.

“Nossas empresas são globais, elas sempre procuram o lugar mais competitivo”, diz. “Estamos fazendo investimentos, acreditando no país, mas acreditando também que o país vai tomar medidas para reduzir o custo Brasil.”

Para José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), o corte de 14% para 4% na tarifa do setor, em quatro anos, será uma pancada forte na indústria. Ele defende um período de ao menos oito anos. “Se as reformas da Previdência (dez anos) e tributária (seis a dez) têm períodos de transição, por que a abertura comercial não pode ter?”, questiona.

O executivo da ABIMAQ diz que o setor é formado por 51 mil empresas, as quais respondem por 5% do PIB do país e 3% das exportações. “Com uma abertura unilateral, com esse corte e no prazo de quatro anos, vão desaparecer 20% das empresas e 100 mil empregos, no mínimo”, afirma Velloso.

O presidente executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, avalia que uma abertura unilateral seria particularmente prejudicial ao setor, pois há no mundo uma onda protecionista em razão do excesso de capacidade na produção mundial de aço, principalmente na China.

“Sofremos ainda com a guerra comercial entre Estados Unidos e China e a América Latina é a única região que não tem medidas para proteger a indústria siderúrgica local”, diz o dirigente. “Não podemos colocar as usinas brasileiras para competir no mundo deslealmente. A abertura comercial pode ser benéfica, desde que se resolvam as assimetrias que tiram a competitividade.”

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a abertura comercial deve ser baseada em três princípios: horizontalidade, gradualidade e transparência. “As reduções tarifárias devem ocorrer para o conjunto de setores da economia, industriais e não industriais, de tal forma a não fazer com que esse processo se torne muito suscetível à força de determinados lobbies”, defende Rafael Cagnin, economista do Iedi.

Segundo a entidade, uma abertura baseada em acordos comerciais seria mais adequada do que o modelo unilateral proposto pelo governo, além de abrir mercados para empresas brasileiras no exterior. “É uma estratégia que traz maior integração na economia internacional, mais do que somente uma abertura.

Pressupõe uma aproximação tanto pela importação, quanto pela exportação, que é algo em que também deixamos a desejar.”

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) diz seguir confiante na estratégia do governo. “Na sexta-feira, tivemos um encontro com o ministro [da Casa Civil] Onyx Lorenzoni em Novo Hamburgo e foi reforçado por ele que a abertura será feita gradativamente, no mesmo compasso da redução do custo Brasil”, diz Haroldo Ferreira, presidente da entidade.

Questionado se acredita ser viável uma redução do custo Brasil equivalente à diminuição da tarifa de 35% para 15% em quatro anos, Ferreira foi mais cauteloso.
“A redução do custo Brasil em 20 pontos percentuais é bastante difícil”, admite. “Se conseguir baixar 10 pontos percentuais do custo Brasil, infelizmente, não vai ser possível reduzir em 20 pontos a tarifa de importação.”


Fonte: Valor Econômico

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