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Voltar 27/05/2020 - Revista Brasil Energia

PETRÓLEO

ANP PEDE INFORMAÇÕES SOBRE COMPROMISSOS EXPLORATÓRIOS

Agência procurou ao menos dez operadoras para saber se há mudanças em programas e orçamentos em meio à crise

A ANP enviou ofícios a pelo menos dez operadoras solicitando informações quanto a eventuais alterações em programas e orçamentos anuais de trabalho (PAT/OAT) previstos para 2020, em meio à crise econômica e sanitária da Covid-19.

As petroleiras contactadas foram a BP Energy, com referência a blocos na Bacia de Campos, Chevron (Santos), Cowan (Espírito Santo), Eneva (Parnaíba), ExxonMobil (Campos, Sergipe-Alagoas e Santos)l, Geopark e Imetame (Potiguar e Recôncavo), Petrobras (Campos, Santos, Espírito Santo e Potiguar),  Rosneft (Solimões) e Shell (Campos e Potiguar).

O PetróleoHoje procurou as companhias para saber se há, de fato, mudanças em seu planejamento.

A Chevron informou que não tem planos de alterar o PAT/OAT do bloco S-M-764 — o único operado pela companhia mencionado no documento enviado pela ANP. “O cronograma está mantido como previsto”, assegurou a companhia.

Arrematado na 15ª Rodada de Concessões, em parceria com a Repsol e a Wintershall DEA, em 2018, o ativo está em seu primeiro período exploratório, com vencimento em novembro de 2025. Seu Programa Exploratório Mínimo (PEM) tem 225 pontos. Não há registro de perfuração no ativo até o fim de abril, segundo informações obtidas junto à ANP.

A Shell declarou que está avaliando seu portfólio e que responderá à ANP dentro do prazo solicitado.

Dois blocos foram citados pela agência reguladora na comunicação feita com a petroleira: o C-M-791 e o POT-M-948, ambos da 15ª Rodada. O primeiro é operado em consórcio com a Chevron e a Petrogal, com primeiro período exploratório vencendo em novembro de 2025 e PEM de 1,203 mil pontos. Já o ativo potiguar é integralmente operado pela anglo-holandesa; tem primeiro período exploratório a expirar em setembro de 2025 e PEM de 74 pontos. De acordo com a ANP, não foram perfurados poços nos blocos até o fim de abril.

A Imetame informou que ainda não tem definição sobre possível adiamento em suas campanhas exploratórias ou de desenvolvimento, incluindo os blocos em questão (POT-T-569 e REC-T-99).

“Neste momento de pandemia, a empresa tem focado primeiramente na manutenção dos empregos, na saúde e segurança de nossos colaboradores. E em paralelo estamos avaliando os impactos da pandemia para as operações, bem como as reações do mercado para tomar qualquer decisão acerca de prorrogações ou não”, declarou a petroleira, ressaltando que poderá, se for o caso, solicitar  a prorrogação de prazos, conforme prevê a Resolução ANP nº 815/2020.

Arrematado na 11ª Rodada da ANP, o POT-T-569 (100% Imetame) é objeto de um Plano de Avaliação da Descoberta (PAD), cujo vencimento está previsto para junho de 2021. Seu PEM (2,864 mil pontos) contempla 20 unidades de trabalho (UTs) por km de sísmica 2D e um poço, levando-se em conta os dois períodos exploratórios do empreendimento. Segundo dados da ANP, a petroleira perfurou cinco poços no bloco entre 2015 e 2018.  

Já o REC-T-99 foi adquirido na 13ª Rodada de Concessões, também com 100% de participação. Seu segundo período exploratório expira em dezembro deste ano. O PEM do projeto tem 578 pontos, prevendo a perfuração de um poço. Segundo dados da ANP, não foram perfurados poços no ativo até o fim de abril.

A Petrobras disse que responderá ao ofício da ANP, mas que não comenta o assunto via imprensa. Os ativos citados pela agência reguladora, no caso da estatal, foram Dois Irmãos, Alto de Cabo Frio Central, Três Marias, C-M-657, ES-M-669, POT-M-859, POT-M-952 e S-M-619.

O primeiro foi adquirido na 4ª Rodada de Partilha da Produção, em parceria com a BP e a Equinor, e tem seu primeiro período exploratório vencendo em dezembro de 2025. O PEM do projeto prevê a perfuração de um poço. O consórcio deve iniciar no segundo semestre a campanha exploratória na área.

O vencimento do primeiro período exploratório de Alto de Cabo Frio Central está previsto para a mesma data. Mais detalhes sobre o projeto em sociedade com a BP na matéria “Um mergulho no pré-sal”.

Três Marias: o primeiro período exploratório do bloco arrematado no 4º Leilão de Partilha, em parceria com a Chevron e a Shell, vence em dezembro de 2025. Mais detalhes aqui.

O primeiro período exploratório do C-M-657, adquirido em parceria com a Exxon e a Equinor, na 15ª Rodada, termina em setembro de 2025. Seu PEM é de 1,075 mil pontos. Conforme publicado, a sonda West Tellus deve começar a perfurar no prospecto de Naru ainda este mês.

ES-M-669: o primeiro período exploratório do ativo adquirido em parceria com a Equinor e a Total, na 11ª Rodada, vence em agosto deste ano. Seu PEM, de 3,3 mil pontos, prevê a perfuração de um poço. Segundo dados da ANP, não há registro de perfuração no ativo.

O primeiro período exploratório do POT-M-859, adquirido na 15ª Rodada com a Shell, vence em setembro de 2025. O PEM do bloco, onde não foi feita perfuração até o momento, tem 229 pontos.

POT-M-952: também da 15ª Rodada, com a Shell, e com primeiro período exploratório a vencer em setembro de 2025, o ativo tem PEM de 176 pontos. Não há registro de perfuração na área, de acordo com a ANP.

S-M-619: o primeiro período exploratório do bloco adquirido em parceria com a Repsol Sinopec, na 7ª Rodada de Concessões, vence este mês, e o segundo, em maio de 2022. Seu PEM é de 2,195 mil pontos, prevendo a perfuração de um poço. A Petrobras pretende cumprir os compromissos exploratórios, conforme informado anteriormente.

A BP Energy e a ExxonMobil não quiseram comentar, e as demais petroleiras oficiadas pela ANP não responderam ao contato feito pelo PetróleoHoje.

No caso da companhia britânica, a ANP destacou os blocos C-M-755 e C-M-793, arrematados na 15ª Rodada de Concessões, em parceria com a Equinor. O primeiro período exploratório de ambos os ativos está previsto para expirar em novembro de 2025, com PEM de 200 pontos.

Já a major norte-americana teve dez ativos citados pela agência reguladora.

Em Campos, o C-M-753 e o C-M-789, adquiridos na 15ª Rodada com a Petrobras e a QPI, têm primeiro período exploratório a vencer em setembro de 2025.  O primeiro tem PEM de 170 pontos, e o segundo, de 1,125 mil pontos.

Em Santos, os blocos S-M-536 e S-M-647 foram arrematados na mesma rodada com a QPI e têm com prazo de término do primeiro período exploratório expirando em setembro de 2025.  Seus PEMs são de 125 e 201 pontos, respectivamente. Já a área de Titã tem primeiro período vencendo em dezembro de 2025.

Na Bacia de Sergipe-Alagoas, os blocos SEAL-M-351 e SEAL-M-428 (13ª Rodada, em parceria com a Murphy e a Enauta) têm primeiro período exploratório vencendo em dezembro deste ano e PEM de 150 pontos.

O bloco SEAL-M-501 tem primeiro período exploratório a expirar em janeiro de 2025 e PEM de 120 pontos. O ativo foi arrematado na 14ª Rodada com a Murphy e a Enauta.

O SEAL-M-430 e o SEAL-M-573, da 15ª Rodada, têm primeiro período exploratório a vencer em novembro de 2025 e PEMs de 200 e 116 pontos, respectivamente.  

Detalhes sobre as campanhas programadas pela Exxon aqui.  

Cowan

Os blocos da petroleira citados pela ANP foram o ES-T-496, ES-T-506 e o ES-T-516, arrematados em parceria com a Petrobras na 11ª Rodada de Concessões.

O primeiro deles tem primeiro período exploratório a vencer em abril de 2022, com PEM de 2 mil pontos (um poço, além de 20 UTs por km de sísmica 2D, considerando-se os dois períodos exploratórios). Segundo dados da ANP, foram perfurados na área sete poços desde 1989.

Os demais têm primeiro período exploratório a expirar em junho deste ano, com PEM de 3 mil pontos cada um, contemplando um poço e 20 UTs por km de sísmica 2D, considerando-se os dois períodos exploratórios. De acordo com informações da ANP, foram perfurados quatro poços no ES-T-506 e cinco no ES-T-516 desde 1986.

Rosneft

Os três blocos citados pela ANP são da 7ª Rodada de Concessões e operados integralmente pela companhia russa. O SOL-T-191 e o SOL-T-168 têm PADs a vencer em outubro e dezembro de 2026, respectivamente. Já o SOL-T-217 está em seu segundo período exploratório, com vencimento previsto para novembro de 2023 (PEM de 20 pontos, incluindo um poço e 20 UTs por km de sísmica 2D, considerando-se os dois períodos exploratórios).

Segundo informações da ANP, foram perfurados dois poços no SOL-T-191 (com início em 2012 e 2019) e um no SOL-T-168 (2011). Não há registro de perfuração no SOL-T-217.

Eneva

A Eneva teve 11 blocos mencionados no ofício enviado pela ANP.

Arrematado na 13ª Rodada de Concessões, o PN-T-103 está no segundo período exploratório, a vencer em dezembro de 2021. Seu PEM é de 7,003 mil pontos, contemplando um poço. Quatro poços foram perfurados no bloco entre 2018 e 2019.

PN-T-117, PN-T-118, PN-T-119, PN-T-133 e PN-T-134: 14ª Rodada, com primeiro período vencendo em janeiro de 2024 e PEMs com pontuação variando entre 400 e 600 pontos, contemplando duas UTs por km de sísmica 2D. Não há registros de poços perfurados nos ativos.

PN-T-146, PN-T-163, PN-T-69 e PN-T-87: 14ª Rodada e segundo período exploratório a vencer em dezembro de 2021. Seus PEMs têm pontuação variando entre 1,010 mil e 3,010 mil pontos, incluindo um poço em cada caso. Dentre esses blocos, apenas o último teve um poço perfurado, no ano passado.

Já o PN-T-48 foi adquirido na 9ª Rodada da ANP e é objeto de um PAD com vencimento previsto para março de 2022. O PEM do projeto é de 100 pontos, contemplando um poço e 20 UTs por km de sísmica 2D (considerando-se os dois períodos exploratórios). Não há registro de perfuração na área.

Geopark

POT-T-785: 14ª Rodada, com primeiro período exploratório a vencer em janeiro de 2023. PEM de 215 pontos, com oito UTs por km de sísmica 2D.

REC-T-128: 13ª Rodada, com segundo período exploratório expirando em dezembro deste ano. PEM de 1,971 mil pontos, incluindo um poço.

O PetróleoHoje perguntou à ANP se a agência procurou outras operadoras além das mencionadas nesta reportagem, mas o órgão regulador disse que não poderia detalhar, por se tratar de informações sigilosas.

Em termos de atividades exploratórias offshore, os compromissos firmados com a ANP para 2020 preveem a perfuração de dez poços, com investimento de R$ 3,8 bilhões, e aquisição de 16 mil km² de sísmica 3D (R$ 334 milhões). Em terra, a previsão é que sejam perfurados 15 poços (R$ 102,5 milhões) e adquiridos 2,274 mil km de sísmica 2D (R$ 88 milhões).

Vale lembrar que a agência aprovou, no início de abril, flexibilizações para o envio de revisões dos planos de desenvolvimento, programas anuais de trabalho e orçamento e de produção.

A reportagem procurou o Ibama para saber petroleiras e/ou prestadores de serviços de sísmica solicitaram prorrogação de prazos nos processos de licenciamento ambiental de atividades exploratórias e/ou de produção de óleo e gás em função da pandemia de Covid-19. O órgão ambiental afirmou que não foram recebidos pedidos do tipo. 

Fonte: Revista Brasil Energia, 27/05/2020
by vm2

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