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Voltar 04/12/2019 - Portos e Navios

BUNKER

Demanda e preços devem estimular produção de bunker 0,5% em refinarias brasileiras

 Danilo Oliveira  NAVEGAÇÃO COMMENTS 0  04/12/2019 - 18:09

Foto Danilo Oliveira

A Petrobras enxerga potencial competitivo para produção do bunker de baixo teor de enxofre nas refinarias brasileiras. A empresa destaca que a qualidade do petróleo extraído da Bacia de Campos e do pré-sal traz a vantagem de não demandar modificações do parque de refino ou aplicação de novos processos químicos para redução de emissões. Analistas estimam que, caso esse óleo não tivesse esses níveis baixos, haveria necessidade de adequações na casa de um bilhão de dólares em unidades de refino. A consultora sênior da FGV Energia, Magda Chambriard, entende que a valorização do bunker brasileiro e eventuais mudanças no perfil de refino brasileiro seriam benéficas para a balança comercial do setor petróleo.

Isso porque a maior utilização do parque de refino brasileiro significaria mais produção de diesel e, consequentemente, menos importação desse produto. “Haverá espaço para o país tirar proveito desse óleo brasileiro de menor teor de enxofre, uma vez que ele é um dos poucos do mundo", destacou Magda, que participou, na última terça-feira (3), do seminário "Energia em Transição: Infraestrutura e Distribuição de Combustíveis Marítimos no Brasil em Conformidade com a IMO 2020", promovido pela Fundação Getúlio Vargas.

Ela acredita na capacidade do Brasil se beneficiar da nova regulação internacional de combustíveis marítimos, que exige um derivado de melhor qualidade, mesmo o país contando com parque de refino relativamente antigo. “Se temos um produto derivado desse óleo combustível que se valoriza em função da regulação nova e se existem três milhões de barris/dia a mais para adequar no mercado internacional, nada mais justo do que essa vantagem competitiva e que esse melhor preço do bunker nacional sirva para refinarmos mais”, avaliou Magda, que foi diretora-geral da ANP no período 2012-2016.

Se a demanda por bunker duplicar ou triplicar como apontam algumas projeções, os terminais operadores de combustíveis precisarão dar conta do aumento de movimentação. Como o abastecimento de navios em alto mar já é realidade no Brasil, essas operações podem ser intensificadas. Magda indagou como será a resposta se houver necessidade de abastecimento de navios de longo curso em áreas com grande movimentação, como o Rio de Janeiro. Diariamente, o estado exporta um milhão de barris de óleo cru e importa 200 mil barris de diesel. A consultora acredita que, se o mercado global de bunker marítimo dobrar, vai demandar mais abastecimento de bunker a partir de navios em alto mar. Somente na costa brasileira, o mercado estima 11 mil operações de carga e descarga de navios por ano, o que representa nove milhões de toneladas de mercado potencial.

A gerente geral de comercialização de produtos escuros da Petrobras, Claudia Sousa, frisou que a companhia se prepara desde outubro de 2016 para transição para o bunker 0,5% de enxofre 2020. “Em certos casos, dependendo do custo de oportunidade e dos preços das correntes de enxofre, vale a pena refinar para produzir esse óleo”, avaliou. Ela lembrou que o bunker com 0,5% hoje está mais caro que a gasolina, o que tornaria mais interessante para o refinador desviar o gasóleo para fazer bunker de baixo teor de enxofre. Em média, 10,3% do petróleo refinado vão para produção de óleo combustível, seja para máquinas, seja para bunker. 

Desde 1º outubro, a Petrobras já vendeu mais de 700 mil toneladas de bunker 0,5%. Considerando a fase de testes, em abril e maio, e as correntes já exportadas, a companhia já produziu mais de dois milhões de toneladas de bunker com 0,5% em 2019. A Petrobras também destaca a compatibilidade do VLSFO vendido no Brasil com o fornecido pela companhia na Ásia. Em abril deste ano, a Petrobras retornou ao mercado de Cingapura, voltando a ter tancagem e oferecendo bunker e correntes para bunker naquele mercado. A companhia forneceu combustível marítimo de baixo teor de enxofre em Cingapura entre 2010 e 2015, quando esse teor passou para 0,1% e a competitividade da empresa brasileira diminuiu.

Atualmente, a Petrobras produz 2% do bunker marítimo comercializado no mundo. Desde o início de outubro, todo o bunker comercializado pela Petrobras no mercado brasileiro passou a atender ao teor máximo de 0,5% de enxofre, se adequando às novas especificações mundiais estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO), que entram em vigor em janeiro de 2020. O novo limite de enxofre atende à Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios (Marpol), da qual o Brasil é signatário. A empresa tem interesse de ampliar a participação nos mercados mundiais de óleo combustível e bunker.

Desde abril, quando começou a adequar suas refinarias e unidades operacionais para a produção do combustível, a Petrobras já ultrapassou a marca de 2 milhões de m³ de bunker com teor de enxofre abaixo de 0,5%. No Brasil, a Petrobras comercializa bunker nos seguintes portos: Rio Grande, Paranaguá, Santos, São Sebastião, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Fortaleza, São Luís, Belém e Manaus.


Fonte: Portos e Navios, 04 dez. 2019

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